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As confraternizações de final de ano, os idosos e a solidão

Os convites das festas de fim de ano chegam e a grande maioria das pessoas já sabe onde, com quem e quais são os horários das confraternizações. Apesar de ser a época do ano em que as famílias se reúnem para jantares e trocas de presente, as festas de Natal e Ano Novo preocupam alguns psicólogos. Os idosos, principalmente os que têm mobilidade reduzida, acabam passando as datas especiais longe da família, o que pode resultar na sensação de abandono e solidão, dando caminho para uma depressão.



O psicólogo Valdemar Donizeti de Sousa, especialista em envelhecimento, explica que, infelizmente, o ageismo social (negligência invisível contra os idosos) acontece durante todo o ano, mas nas festividades se intensifica. “Por conta de uma correria, de uma loucura social do consumo, que mais nos paralisa do que nos permite que façamos as trocas e o convívio no dia a dia”, afirma. Para o especialista, a forma como cada um está levando a própria vida é o que resulta nessa falta de afeto entre os familiares. Para ele, essa correria do dia a dia não permite nem que os familiares notem os próprios erros. “Esse ritmo frenético, no qual nos sentimos conectados mas ao mesmo tempo nos atropelando uns aos outros, sem exercer o mínimo da prática da observação. Somos engolidos pela velocidade e acabamos deixando para trás quem, de fato, por muito tempo, foi o condutor principal daquilo que somos”, esclarece Valdemar.


Nós somos responsáveis por essa apatia, isolamento e abandono social, que deixa de lado as pessoas mais velhas

Ele explica ainda que há algum tempo os estudos já mostram que a solidão e a depressão atualmente já matam mais que algumas doenças. Para ele, é importante que seja feito um movimento inverso. “Ageismo social é quando produzimos no outro total indiferença, que acaba também reproduzindo na doença. Nós somos responsáveis por essa apatia, isolamento e abandono social, que deixa de lado as pessoas mais velhas”, garante o especialista.


Os cuidadores de idosos são grandes aliados na hora de combater a sensação de solidão. É importante que seja respeitada a vontade do idoso. Mais do que isso, é importante que a família, assim como os cuidadores, não trate o idoso como uma pessoa invisível. “É essencial e fundamental que, por mais dependente que a pessoa idosa seja, se tente descobrir sua vontade e seu desejo. Inclusive, até questionar a decisão dela ficar mais retraída e não desejar sair”, explica.


É importante que se leve em conta a autonomia da pessoa. É preciso que o idoso tenha a liberdade de desejo, além de incluí-lo em todos os planos. O especialista afirma que com o passar dos anos o idoso acha que está incomodando os familiares e cuidadores, por isso a importância de manter sua opinião ativa em todas as atividades que envolvam a família.


A solução para resolver o problema é mais fácil do que muitos imaginam. O primeiro passo é que cada família faça uma reflexão para entender o que está acontecendo e, a partir dela, mudar as ações. Não apenas nas festas de confraternização, mas, se possível, ao longo de todo o ano.


Para deixar a vida do idoso mais ativo, uma das alternativas é que o ele participe de grupos sociais e tenha contato com outras pessoas. “A pessoa descobre que pode se pertencer mais onde ela vive, diminui a impotência e sai do isolamento, que é o grande vilão”, finaliza o especialista.

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